Um hábito tão saudável como ler é tão desprezado. Os livros são atirados para o chão sem que alguém diga “hey, isso que atiraste para o chão agora é o meu livro!”. E depois, os custos também não abonam a favor…
Ler é como comer vegetais: toda a gente diz “bah, que nojo!” e despreza isso mas depois, de um modo ou outro, acaba por os comer numa sopa ou numa salada.
O que “prejudica” o hábito de ler é que exige tempo, exige que tenhamos tempo livre para pegar no livro e lê-lo de uma ponta à outra. E numa sociedade como a nossa em que “tempo é dinheiro/lucro/trabalho”, muita gente não tem iniciativa para comprar um livrinho pequeno e ler antes de dormir ou quando está à espera do autocarro/metro ou mesmo no hospital. No Verão é que algumas pessoas se entusiasmam mais para ler mas geralmente desistem a meio do livro quando os amigos as chamam para irem dar um mergulho ou jogar vólei na praia.
Mas, digamos, os benefícios que este hábito trás são incontestáveis. Actualmente os jovens e até os “pré-adolescentes” passam grande parte do tempo com o telemóvel ou então no messenger e aí, como é claro, fazem abreviaturas para quase todas as palavras (ou então escolhem mesmo escrevê-las de outro modo) mas não entendem as repercussões que isso tem depois na escola e, mas futuramente, nas suas carreiras profissionais. E o facto de se ler “anula” esse efeito tão malicioso de se ser social e gostar de falar com os amigos. Quanto mais se lê, mais palavras novas se aprendem e melhor se escreve. Por isso, é como ter uma aula de Português enquanto ficamos mais agarrados ao livro.
Mas comprar um livro não é barato. E isso prejudica bastante a criação deste tão saudável hábito.
(Este texto foi escrito por uma leitora compulsiva que não consegue entrar num supermercado sem comprar um livro)
Maio 7, 2008
Livros
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